Diversidade funcional (SPA)

Diversidade de Atributos Funcionais em Sistemas Agroflorestais Experimentais em São Pedro de Alcântara/SC

Sistemas agroflorestais (SAFs) possuem grande potencial para produção de alimentos diversos e preservação dos ecossistemas. Porém, o alto custo de implantação e manutenção, em parte devido à variabilidade na sobrevivência e crescimento inicial, associado com intensa competição de árvores com vegetação espontânea faz com que este modelo de produção seja pouco adotado. Uma alternativa promissora de baixo custo é o plantio de cultivos companheiros (“vizinhos”) para facilitar o desenvolvimento das árvores e simultaneamente produzir alimentos que podem ser colhidos cedo, alimentando a família e/ou e gerando renda já quando os cultivos arbóreos ainda estão em desenvolvimento inicial.

No entanto, tais combinações sinérgicas de árvores e cultivos vizinhos facilitadores são pouco conhecidas e os resultados pouco generalizáveis. Com o plantio de diversas combinações de árvores alimentícias com cultivos vizinhos (anuais e semi-perenes) objetivamos a busca de consórcios promissores para estimular o desenvolvimento das árvores e ao mesmo tempo gerar produtos alimentícios e insumos agrícolas agroecológicos a curto e médio prazo. Porém, a humanidade depende de centenas de espécies vegetais derivadas da Mata Atlântica – um número impossível de analisar em experimentos. Os atributos funcionais (características ecofisiológicas das espécies) oferecem uma ferramenta para generalizar os efeitos:

a) das condições ambientais sobre o desempenho das espécies (atributos funcionais de resposta) e
b) das espécies sobre as condições ambientais (atributos funcionais de efeito).

Utilizando os atributos funcionais como vínculo entre a biodiversidade e o funcionamento dos ecossistemas, a abordagem deste trabalho tem o objetivo de predizer o desempenho de policultivos de forma mais generalizada. Utilizamos um delineamento experimental com dois níveis hierárquicos:  Um fator experimental – (1) a forma de crescimento dos cultivos vizinhos – está aninhado dentro de outro fator experimental – (2) a qualidade da biomassa dos cultivos:

(1) Forma de crescimento dos cultivos vizinhos (para análise a curto prazo):

Em 192 unidades amostrais (subparcelas) analisamos os efeitos de cultivos vizinhos:
i) Herbáceas basais (rosulados e prostrados),
ii) Herbáceas eretas e
iii) Arbustos/pseudo-arbustos
…sobre o desempenho dos cultivos arbóreos e diversos indicadores ecofisiológicos e socioeconômicos associados.

(2) Concentração foliar de Nitrogênio dos cultivos (para análise a curto, meio e longo prazo):

Grupos sistemáticos de oito subparcelas são agregados em parcelas com diferentes qualidades da biomassa  (~concentração foliar de N; inversamente correlacionadas com a relação C/N foliar):
i) Alta qualidade: Todos os cultivos de todas as subparcelas da parcela tem alto N foliar (>2,5%);
ii) Média qualidade: Mistura equilibrada cultivos com N foliar alto e baixo;
iii) Baixa qualidade: Todos os cultivos de todas as subparcelas da parcela tem baixo N foliar (<2,5%).

O delineamento experimental inclui composições de espécies divididas pela qualidade de biomassa (alta, média e baixa), longevidade das espécies arbóreas no experimento (média, curta) e forma de crescimento dos vizinhos (arbusto, herbácea ereta, herbácea basal, testemunha). Estas subparcelas estão sistematicamente integradas em 24 parcelas (8m x 8m), dentro de quatro blocos que servem como repetições verdadeiras (30m x 20m). Espera-se que a partir deste delineamento possam-se encontrar composições de tipos funcionais de cultivos promissores para gerar múltiplas funções ecossistêmicas e socioeconômicas a curto, médio e longo prazo do desenvolvimento dos sistemas agroflorestais.